
CARVÃO
Carvão é um projeto de pesquisa e produção artística desenvolvido por Gabriela Queiroz entre 2025 e 2026, com realização por meio do Edital 001-C/2024 – Fomento Multiartes (PNAB). Reunindo quatro obras inéditas, o projeto investiga o carvão como matéria, imagem e operador conceitual, tomando esse elemento ancestral como ponto de partida para refletir sobre transformação, memória e permanência.
Mais do que um instrumento do desenho, o carvão é compreendido como um material em constante metamorfose. Resultado da ação do fogo sobre a matéria orgânica, ele condensa processos de destruição e criação, desaparecimento e sobrevivência, tornando-se uma metáfora das transformações que atravessam o corpo, a memória e a experiência humana.
As obras foram desenvolvidas durante um processo de mentoria artística com Márcia Porto*, cujo acompanhamento contribuiu para a consolidação de uma nova etapa na trajetória da artista. Essa passagem foi ritualizada na performance para a videoarte Carvão (2026), na qual o corpo estabelece uma relação direta com o material, incorporando suas qualidades físicas e simbólicas em uma ação performática.
Ao longo do projeto, a pesquisa expandiu-se para além do carvão utilizado tradicionalmente nas artes visuais e passou a investigar diferentes formas de carbono. Com a colaboração do pesquisador Prof. Dr. Rafael Ninno Muniz, especialista em carbono, Gabriela conheceu tecnologias contemporâneas de produção de biochar e incorporou à obra Labirintos (2026) amostras produzidas a partir de bagaço de cana-de-açúcar, sementes de açaí e serragem de pinus. Essa aproximação entre arte, ciência e tecnologia abriu novas possibilidades para compreender o carbono não apenas como material artístico, mas como elemento capaz de conectar processos geológicos, biológicos, industriais e culturais, constituindo a base química de toda a vida na Terra.
Essa ampliação do campo de investigação estabeleceu as bases para pesquisas posteriores, nas quais o carbono deixa de ser apenas um meio de produção da imagem e passa a constituir o próprio objeto da reflexão artística.
Como contrapartida social do projeto, Gabriela Queiroz realizou 20 horas de oficinas de iniciação à gravura contemporânea destinadas a adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas no CENSE Cascavel e a mulheres atendidas pela Casa de Acolhimento de Cascavel.
A seguir, conheça as obras desenvolvidas no âmbito do projeto.
* Márcia Porto é artista, curadora, educadora e pesquisadora. Vive e trabalha em Nottingham, Reino Unido. Mestre em Poéticas Visuais pela UNICAMP (2008), é graduada em Bacharelado em Artes Visuais e Licenciatura em Arte-Educação pela mesma instituição (1987). Desenvolve atividades de ensino, pesquisa e produção artística desde a década de 1980, atuando em exposições, residências, cursos e projetos internacionais.



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